10/10/2011

2ª-feira da 28ª Semana Tempo Comum - 10/10/12




         Hoje temos o início da carta aos Romanos (Rm 1,1-7) que relata o incentivo de Paulo na busca pelo conhecimento de Jesus Cristo.
         A evangelização da comunidade dos romanos parece não ter sido tão fácil, o que exige do “apóstolo por vocação” leva-los a ter a compreensão dos fundamentos no Ressuscitado. Paulo deixa claro a identidade de Jesus Cristo: “descendente de Davi segundo a carne, autenticado como Filho de Deus com poder, pelo Espírito de Santidade que o ressuscitou dos mortos, Jesus Cristo, Nosso senhor”. Conhecer e reconhecer Aquele que pregamos é um elemento básico para o crescimento de nossa fé, eis ai o incentivo paulino.
         No evangelho (Lucas 11,29-32) Jesus trabalha este processo de identificação e reconhecimento que dissemos acima. Há na multidão que o segue uma “enorme ânsia” de sinais, de espetáculos da fé, de curas, de milagres, de oba-oba, isto é, querem coisas mirabolantes para ter certeza de que Ele é o Messias.
         Alguns desses sinais já foram dados no AT e eles não acreditaram. A multidão quer espetáculos, Jesus atitudes (entre elas a conversão). E nós o que queremos? Lembremo-nos de que todos os dias acontecem nos altares das Igrejas, o milagre eucarístico (a missa) composto da simplicidade dos sinais do pão e do vinho consagrados. Não seria este o primeiro milagre que devemos buscar e os outros viriam como consequência? Pensemos nisso.

06/10/2011

Reflexão diária 06/10/2011

Reflexão do dia

A liturgia desta semana parece conduzir-nos ao desenvolvimento da arte da oração, repetindo o pedido dos discípulos suplicamos ao Senhor que nos ensinasse a rezar e ele o fez. Ato contínuo é saber o conteúdo de nossa oração, saber o que pedir, como pedir e ter a certeza de que Deus acolhe e dispõe aquilo que promove o nosso crescimento.
Outro ponto importante é perceber o resultado de nossa amizade com Deus. Diferente do ser humano, ele nos atende simplesmente pela sua gratuidade e não porque tem a obrigação de nos atender porque incomodamos tarde da noite.
Um terceiro aspecto que colhemos desta leitura do evangelho, é refletir sobre o modo como nos relacionamos com Deus: o buscamos somente quando temos alguma necessidade ou o relacionamento é diário?
Por fim, nossa oração e nosso estar com Jesus necessita de um fator predominante, a atuação do Espírito Santo, que nos dará a capacidade de saber o que, a que horas e como pedir!

05/10/2011

Meditação do Dia 05/10/11


Reflexão do Dia

            A experiência de conversão que Jonas tem vivido ao longo destes dias é bem semelhante a nossa, peregrinos que somos, percorremos as cidades de nossa vida com nossas limitações, fraquezas, quedas e a vontade de deixar tudo (traduzindo a vontade de Jonas em morrer).
            O processo de superação do pecado é algo exigente e nem sempre fácil de lidar. Ir ao mais profundo de nós mesmos e querer retomar um caminho de misericórdia, de perdão e de nova vida provoca a resistência natural do ser humano. É preciso confrontar-se consigo mesmo. Jonas sente-se frustrado e com isso deseja a morte, isto é, o caminho mais fácil. É preferível morrer a continuar lutando segundo a perspectiva de Jonas.
            Outro elemento importante é perceber que diante do possível fracasso humano, o culpado é Deus. Ainda bem que ele é misericordioso. Fugir de si mesmo não é solução para os problemas. As vezes nos deparamos com pessoas que fogem a vida toda de si mesmo, pois tem medo de conhecer a si mesmo. A dinâmica de nossa fé deve ser entendida também como essa possibilidade, de conhecer a Deus e a si mesmo ou ainda mais, a divindade que está dentro de si, por isso, um processo de introspecção é fundamental.
            Consequência do processo de amadurecimento da fé, a oração complementa nossa busca. Os discípulos de Cristo sentem essa necessidade como consequência do testemunho vindo do próprio Mestre e de João Batista que ensinava os seus.
            Um fator importante da oração é exatamente isso, trata-se de um desejo. A vontade de dialogar com o divino, fazendo nossas petições, louvores, súplicas, ação de graças. Rezar deve ser o desejo diário do Cristão.
             Hoje, a Igreja celebra também, São Benedito, o Negro. Homem de extrema simplicidade, limitação intelectual, mas que fez da sua vida, um grande serviço de misericórdia aos outros. Esvaziando-se, não deixando que o orgulho tomasse conta, preencheu a vida daqueles que com ele conviviam. 
          É válido recordar que muitas comunidades celebram São Benedito, na segunda-feira depois da Páscoa, pois era num período da Igreja, a páscoa dos negros.
              Que o nosso dia, seja de prece a Deus pela nossa vida e de tantos outros. Rezemos juntos o Salmo 2 e o Pai-Nosso.

Salmo 2

1 Por que as nações se revoltam, e os povos conspiram em vão?
2 Os reis da terra se insurgem e os poderosos fazem aliança contra o Senhor e contra seu Ungido:
3 “Vamos quebrar suas correntes e libertar-nos da sua opressão!”
4 Aquele que está nos céus se ri deles, zomba deles o Senhor.
5 Então, cheio de ira, vai dizer-lhes, apavorando-os com seu furor:
6 “Já o estabeleci como meu rei sobre Sião, meu santo monte!”
7 Vou proclamar o decreto do Senhor: Ele me disse: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei!
8 Pede-me e te darei como herança as nações, e como tua posse os confins da terra.
9 Tu as governarás com cetro de ferro, tu as quebrarás como a potes de barro”.
10 Agora, pois, tomai cuidado, ó reis, aceitai este aviso, governantes da terra:
11 Servi ao Senhor com reverência
12 e prestai-lhe homenagem com tremor, para que não se irrite e pereçais pelo caminho, pois sua ira se inflama de repente. Felizes os que nele se abrigam!

04/10/2011

Meditação da Palavra

Partilha da Palavra

            Acolhendo a mensagem de Jonas, a cidade de Nínive entra num processo de conversão: detectada a situação do pecado mediante o anúncio a comunidade procura ter atitudes que os coloque neste caminho de remissão de seus pecados.

            É importante observar que certamente não foi fácil para todos, do mesmo modo que não o é para nós hoje, reconhecer o pecado e iniciar um processo de volta, mas também não é impossível. As atitudes assumidas pelo povo nos lembram da quarta-feira de cinzas, quando iniciamos o nosso itinerário quaresmal.

            Dar um passo consciente visando à mudança de vida é confrontar-se com o limite humano, que prefere muitas vezes ficar na acomodação a buscar o amadurecimento. Reconhecer o pecado é humilhante, superá-lo pode ser desgastante, no entanto, se pensarmos na recompensa da liberdade espiritual, não pensará duas vezes em lutar contra nossos pecados.

            A leitura de hoje, motiva-nos a um profundo exame de consciência analisando nossa vida em 4 perspectivas: consigo mesmo, com o outro (cônjuge, família, profissão), com Deus e com a Igreja.

            O exercício de escuta e meditação da palavra de Deus consiste em diariamente escolher a melhor parte, como fez Maria no texto do evangelho de hoje.

            Sentar-se e silenciar o coração para que o Mestre possa falar é algo também exigente, pois se não cuidamos, a agitação de Marta já toma conta do nosso espírito desde que levantamos. É valido observar que é fundamental colocar-se aos pés do Mestre e ali estabelecer um diálogo com Ele. Maria, realiza o ponto concreto de esforço, da escuta da palavra e certamente depois, o da Meditação, quando dialoga com Jesus e analisa sua vida na perspectiva daquilo que ouviu. Meditar é isso, é acolher a mensagem divina, analisar nossa vida, nossa fé, aos olhos da leitura bíblica e com isso, tirar regras para o dia a dia de nossa vida, o que nos provocará a um retiro diário, reservando um tempo para sentar-se novamente aos pés do Senhor, por isso, na vida conjugal, não basta que um ou outro sente-se aos pés do Mestre, é preciso que os dois o façam e que no inicio ou no fim do dia traduzam esta escuta e meditação numa grande oração conjugal, pois é através da oração que temos condições de aparar as arestas com um bom dever de sentar-se.

            Hoje não podemos nos esquecer de São Francisco de Assis, que em nossa diocese de Taubaté, é chamado de São Francisco das Chagas, pois recebeu em seu corpo os estigmas da cruz de Cristo. Grande construtor da paz, Francisco demonstra o quão é importante torna-se um participante desta “paz que é tão sonhada, cantada em canções tão lindas, só chegará até nós, quando ouvirmos a voz do Senhor”.

            Rezemos o Salmo 1:

Feliz quem segue o bom caminho

 1

 1 Feliz quem não segue o conselho dos maus, não anda pelo caminho dos pecadores nem toma parte nas reuniões dos zombadores,
2 mas na lei do Senhor encontra sua alegria e nela medita dia e noite.
3 Ele será como uma árvore plantada à beira de um riacho, que dá fruto no devido tempo; suas folhas nunca murcham; e em tudo quanto faz sempre tem êxito.
4 Os maus, porém, não são assim; são como a palha carregada pelo vento.
5 Por isso não poderão enfrentar o julgamento e os pecadores não têm vez na reunião dos justos.
6 Pois o Senhor protege a caminhada dos justos, mas o caminho dos maus leva à desgraça. Servi ao Senhor com reverência




03/10/2011

A oração como arte



A oração como uma arte

Pe. Kleber Rodrigues da Silva
SCE - Equipe 4 - NSra do Carmo  - Caçapava-SP

         Trata-se de um texto que escrevi para a reunião mensal da Equipe 4, onde o tema de estudo foi a oração. É preciso considerar que complementa esta reflexão os números 32-34 da carta do Papa João Paulo II (Novo Millenium Ineunte – No início do novo milênio – 06/01/2001)

         Vocês recordam quando fizemos uma meditação sobre a citação de Miguelangelo que dizia: “vi o anjo na pedra e esculpi até libertá-lo” e para tal é preciso ter as ferramentas corretas?
         O Beato João Paulo II nos diz que o cristão precisa ser reconhecido pela “arte da oração”. Eis a nossa proposta de reflexão. Entender que essa arte que se desenvolve pela sutileza do diálogo.
         Primeiramente analisem seus diálogos conjugais, ou se quiser, sendo mais preciso o dever de sentar-se. Analisem também os diálogos familiares, profissionais, comunitários, em Equipe. Eles nos colocam em perfeito contato com o Outro. Aprendemos a dialogar, quando aprendemos a silenciar. Deus fala e eu escuto. Eu falo e Deus silencia para acolher a voz do coração humano. Deus deixa-se conhecer pelo diálogo que estabelece com o ser humano. Quando o EU (Deus) se dirige ao TU (nós), ele não simplesmente dialoga, mas dialogando já vai nos salvando, porque partilha conosco os princípios da salvação. É simples, experimentando a amizade com Deus, celebramos a profundidade de um relacionamento salvífico. É belo compreender, que no simples ato de conversar conosco Ele já nos salva (cf. Verbum Domini).
         Na arte da oração, é preciso ter atitude. e ninguém melhor do que você mesmo para saber que atitude precisa tomar: organizar horário, coragem para dialogar, ir ao encontro de Deus. Posso dizer o que você tem que fazer, mas não posso fazer para você, senão, quem vai rezar serei eu, e você simplesmente ficará no distanciamento.
         No diálogo entre a criatura humana e a sublimidade divina, temos a oportunidade de revelar nossas fraquezas. Rezar é encontrar-se consigo mesmo. É ser o “Samaritano de mim”. No encontro da fraqueza a oração torna-se dolorosa. Entendam aqui porque muitos são resistentes em rezar...por isso, rezar não consiste apenas em pedir, mas saber também louvar, adorar, contemplar, escutar, bendizer, agradecer.
         No amadurecimento de nossa arte compreendemos que orar não consiste numa ideologia, mas em “ter os pés no chão e o coração em Deus”. Cada qual vai aprendendo (ou ao menos deve) a rezar com sua história. Pare, olhe, pense na sua história cronológica, cosmológica e litúrgica que é construída e revelada no cotidiano de sua vida. Ai esta parte do conteúdo de sua oração.
         A oração preenche o vazio existencial. E ai? Como está sua oração como um preenchimento do vazio humano? Quando você reza, sente-se preenchido? Se sentir necessidade de mais água, não tenha medo, aprofunde (entenda como ampliar seu horário de oração)
         O caminho da arte passa pela riqueza espiritual que a Igreja nos oferece e que se chama: Salmos. Que tal neste mês nossa equipe rezar (e não simplesmente ler) um salmo por dia e na próxima reunião partilharmos?....
         Quem deseja ser artista da oração não pode se contentar apenas com as fórmulas prontas, é preciso querer e buscar mais. Somos educados e educadores da oração. Eficiência, compromisso e prontidão com os PCEs são uma expressão de que estamos com as ferramentas corretas para tornar-se um artista da oração. Que o Espírito Santo nos ilumine.

Reflexão Diária


Quem é meu próximo?

         Iniciando mais uma semana de caminhada na fé, temos a oportunidade de descobri quem é o meu próximo. A pergunta feita pelo mestre da lei demonstra que o mesmo era um grande conhecedor do aspecto teórico e, no entanto nenhum pouco prático. Eis o risco que corremos também, podemos meditar todos os dias a palavra, decorar os versículos, mas não conseguirmos traduzir a escuta e meditação em gestos concretos. É preciso estar atento para não repetir o gesto da personagem bíblica.
         Um segundo aspecto que podemos destacar é o aspecto: Quem é meu próximo? Alguns poderiam apenas entender na perspectiva geográfica, mas é indo além que vamos descobrir. O próximo social (pobre), o profissional, o conjugal, o comunitário e o afetivo.
         A parábola do bom samaritano questiona toda esta teoria da fé, aqueles que vivam no templo e se achavam donos da salvação não foram capazes de superar isso e praticar um gesto de caridade. Esse é um risco constante que corremos em nossa vivência cristã, temos uma catequese meramente sacramental e preocupada em formar pessoas que busquem a missa, não que isso seja errado, mas podemos alcançar outros frutos. Onde está, por exemplo, a dimensão social da Eucaristia? A educação moral não aparece em nossas homilias, em nossas catequeses, pouco se vê. É preciso aprender a ser adorador (sacramental) e praticante da adoração. Se não cuido, é lógico que vou preferir ficar dentro da Igreja, cantando, louvando, rezando, fazendo possíveis curas e libertações, e quando saio de lá, começo a reparar na vida alheia, criticando um ou outro. É adorar e agir.
         A provocação de Jesus através da Parábola do samaritano coloca-nos numa profunda reflexão: em que nível está a teoria e a prática da minha fé?