26/09/2011

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A Formação como proposta para 2011

Por Pe. Kleber R. Silva
SCE Eq 4 – Caçapava-SP

“Vi o anjo na pedra e esculpi até libertá-lo”
Miguelangelo

         Já diz a canção “quem sabe faz a hora não espera acontecer”. É isso mesmo! É hora de fazer a hora acontecer, pois 2011 já nos chama a mais uma etapa na caminhada de membros do movimento das Equipes de Nossa Senhora.
         Chamados pelo Pai, incorporados a Cristo e unidos pelo Espírito Santo queremos percorrer os caminhos que nos levarão ao amadurecimento humano e comunitário, espiritual, intelectual, pastoral e missionário. (cf. Documento de Aparecida 280).
         O Movimento das Equipes de Nossa Senhora convoca seus membros para uma caminhada formativa neste ano de 2011. Formar-se é deixar-se lapidar pelas talhas que estão nas mãos de Deus; é dar um sentido e um impulso novo ao “ser equipista”; é beber da fonte que jorra do lado aberto do peito do Cristo, quando Ele se entrega em favor da humanidade no altar da cruz.
         Formar-se é esculpir o anjo que está na pedra para libertá-lo e dar-lhe asas para voar. Mas antes de esculpir, o artista, já o enxerga na pedra e tira os excessos. Deste modo, o equipista em 2011 é convidado a ter este olhar de artista para sua própria conjugalidade. Não basta apenas olhar, é preciso enxergar. Eis um desafio, pois muitas vezes olhamos, mas não enxergamos os excessos que precisam ser tirados da relação. Às vezes até enxergamos, mas o olhar não é clinico, é superficial, como aquele desatento que entra num grande museu e em poucos minutos já sai dizendo que viu tudo. Engano seu!
         O olhar para esculpir necessita de uma precisão, para não perder o valor daquilo que será liberto. O olhar do equipista também precisar ser bem formado, para não se perder na luminosidade que reflete em sua retina, por isso, o convite para se formar humanamente.
         Ao olhar o anjo na pedra, o artista, recorre às ferramentas adequadas para dar formas à sua grande obra. Olhar e pegar as ferramentas pode até ser um ato simples. O problema é manuseá-las. É preciso ter ferramentas adequadas para lidar com a conjugalidade, eis os Pontos Concretos de Esforço:
         A ferramenta da Escuta da Palavra de Deus “permite ao equipista, não somente conhecer a Deus, mas acima de tudo, enraizar-se melhor no evangelho. Essa escuta faz com que cada pessoal do casal entre em contado direto com a pessoa de Cristo” (Guia das ENS, p 24)
         A ferramenta da Meditação “consiste em ter um tempo para estar a sós com Aquele que nos ama. É um tempo de escuta silenciosa, de coração a coração, um tempo de descoberta e acolhimento do projeto que Deus tem para nós” (idem, p. 24-5).
         A ferramenta da Oração Conjugal “torna-se a expressão comum de duas orações individuais e deve nascer naturalmente de uma vida partilhada”
         A ferramenta do Dever de Sentar-se “evita a rotina da vida conjugal e mantém jovem e vivo o amor e o casamento. Tempo de manifestação dos sentimentos e dos pensamentos”.
         A ferramenta da Regra de Vida é onde precisamos colocar um pouco mais de nossas forças, derramar um pouco mais do nosso suor, por isso, “escolher e assumir uma regra de vida ajuda cada um a aderir pessoalmente e de maneira concreta ao projeto que Deus tem para cada cônjuge e para o casal”.
         A ferramenta do Retiro é perceber que na arte de lapidar, precisamos também de intervalos. Assim o “retiro é um tempo privilegiado de parada, de escuta, de oração e uma oportunidade de renovação espiritual”.
         Por fim, não podemos deixar de esquecer-se da ferramenta chamada Equipe. Ser Equipe é “assumir a lealdade para com os outros membros e a prática da mística e da pedagogia do movimento”.
         Tomados das ferramentas corretas, podemos dar uma forma à pedra da vida e lapidá-la com a força divina.
         Assim, é preciso entender que o processo formativo é algo que exige tempo, dedicação, responsabilidade e fraternidade. Basta olharmos para o Cristo, que logo de início deixou claro aos seus apóstolos quais seriam as regras do seguimento: “Quem quiser me seguir, tome sua cruz e siga-me” (Lc 9,23), ou ainda Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”. (Lc 9,62).
         Para Ser equipista, ser um artista que talha sua espiritualidade conjugal é preciso ter disponibilidade para Forma-se e assim ser uma formador do valor do vinculo indissolúvel.
         O querer formar-se faz com que a pessoa ou o casal busque as fontes certas e sérias. Em 2011 o Movimento aponta para a formação “ referente às questões da Igreja local e universal, ajudando-os a perceber a presença de Deus na história diá­ria individual e da sociedade”. Temos o Catecismo de nossa Igreja, o Documento de Aparecida e tantos outros que acrescentam a este processo formativo.
         Mas o processo formativo não para por ai. É preciso ainda pensar e agir no sentido da Revitalização da Reunião de Equipe. Como andam nossas reuniões. Estamos levando um pouco de água para ser partilhada ou ainda a entendemos como um ato social?
            O valor do Ser equipe, passa pela compreensão da própria Igreja como uma grande comunidade viva de filhos e filhas de Deus. Assim temos a tarefa de “Aprofundar o conteúdo dos textos “Ecclesia” e “Testamento Espiritual”. A (re)leitura destes textos, certamente, vai abrir o coração de muitos equipistas no sentido de reconhecer a substância sobrenatural e o mistério da Reunião de Equipe e encará-la como um espaço de formação, capaz de “desenvolver a capacidade de olhar para as pessoas e para o mundo com os olhos de Deus, a fim de se transformarem numa verdadeira comunidade de fé, uma pequena Ecclesia”(RE), assim como fez Jesus com os doze primeiros apóstolos, levando-os a abrir seu coração à compreensão da Boa Nova.”
         Por fim, não podemos deixar de continuar formando-nos na escola Eucarística. “O Sacramento do Esposo, da Esposa”. “O vínculo fiel, indissolúvel e exclusivo que une Cristo e a Igreja e tem expressão sacramental na Eucaristia está em harmonia com o dado antropológico primordial segundo o qual o homem deve unir-se de modo definitivo com uma só mulher, e vice-versa”.
         Não nos esqueçamos de que queremos envolver-se num um processo formativo para amar e servir como Jesus (Tema 2011), no desejo de “sermos imitadores de Deus, como filhos amados” (Lema 2011). (Efésios 5,1).

Festa de São Vicente de Paulo

Cartaz da Festa da Paróquia São Vicente de Paulo - Taubaté - SP

Fotos



Vivendo uma tensão litúrgica

A liturgia continua sendo a fonte e o cume da vida da Igreja (SC 10) e por isso, desperta muito interesse em todas as instâncias da comunidade eclesial. Nos últimos anos a sede pela pastoral litúrgica tomou conta dos leigos, dos seminaristas, dos diáconos, de alguns padres e bispos. Falar de liturgia é falar do “tchan” do momento. E todo este movimento tem gerado uma grande tensão.
Todo processo formativo deve ser sempre bem planejado, acompanhado, adaptado e desenvolvido com cautela e prudência tendo em vista os resultados a serem obtidos. Quando falamos em liturgia, dificilmente encontramos essa consciência de que um processo de inserção na vida litúrgica não acontece do dia para a noite.
Ultimamente tenho percebido no ambiente da Igreja, aquilo que arrisco a chamar de uma Tensão Litúrgica que vem ameaçando a unidade e a comunhão de muitas comunidades que desejam desenvolver um trabalho litúrgico fundamentado nos anseios da Igreja expressos na Constituição Sacrosanctum Concilium.
Tensão Litúrgica, no meu ponto de vista, surge a partir do conflito de ideias e ideais das “diversas tendências” litúrgicas que surgem hoje. Basta olharmos alguns exemplos: os modos de presidir e celebrar a eucaristia; os padres midiáticos que instauram um modo próprio de fazer a sua liturgia; as diversas celebrações que são transmitidas pelas TVs, os diversos sites, blogs que surgem na internet provocando conflitos, artigos e mais artigos que são publicados sem fundamento algum.
E por detrás de cada exemplo desses, existem as linhas de pensamento. Uns querem um terceiro Concílio Vaticano, outros querem voltar ao Concílio de Trento, outros querem uma liturgia onde tudo pode e outros não querem nada. E isso atinge diretamente o modo de celebrar de nossas comunidades eclesiais. Se não estiver enganado hoje o espaço da pastoral litúrgica tornou-se um lugar tenso, conflitante, desgastante, desmotivador. Não que não fosse antes, mas a intensidade e as feridas que se abrem são cada vez maiores e mais demoradas de serem curadas.
Hoje há uma preocupação excessiva com o aspecto jurídico da liturgia: “o pode e o não pode”. Estamos esquecendo que liturgia é antes de tudo uma fonte espiritual. 
No processo formativo, nós presbíteros, aprendemos que a liturgia é base da vida eclesial e de que ela necessita de pastoreio especifico. Mediante as tendências que estão enraizadas em nossas comunidades, é preciso que nós, ministros ordenados, tomemos a frente para que a liturgia não caia no descaso e no “se faz de qualquer modo e está tudo bem”. Não! Não está tudo bem. Existem critérios, fundamentos bíblicos, teológicos.
Estejamos atentos. Estamos criando nas comunidades uma série de ministros e coroinhas, acólitos que acham que entender de liturgia, é só colocar uma batina e sair cerimoniando aqui ou acolá. Liturgia é muito mais que uma batina, uma celebração, um senta e levanta. Liturgia é antes de tudo espiritualidade que se alimenta no coração e que se vive no dia a dia.
Estamos caminhando para os 50 anos da Constituição Sacrosanctum Concilium, muitos eventos serão realizados, reflexões, seminários, estudos. Por isso, dando os primeiros passos nesta perspectiva, deixo para você, caro leitor, uma proposta de análise:
“A liturgia consta de uma parte imutável, divinamente instituída, e de partes suscetíveis de mudança. Estas, com o correr dos tempos, podem ou mesmo devem variar” (Sacrosanctum Concilium 21).
Considerando esta afirmação da Constituição Litúrgica, observe a vida litúrgica de sua comunidade, as tendências, os cantos, o modo como os ministros estão envolvidos com a celebração e depois responda:  vivemos ou não uma tensão litúrgica em nossas comunidades?

Mês da Bíblia?????



A Igreja no Brasil celebra no contexto pastoral os chamados "meses temáticos", temos o vocacional, da bíblia, das missões. Setembro é por excelência dedicado a este livro tão especial.
Neste artigo desejo refletir sobre a liturgia da Palavra em nossas celebrações, bem como o exercício do ministério de leitor e as consequências na vida.
A celebração eucarística é composta de duas grandes mesas: a palavra e a da eucaristia, no entanto, ambas constituem um só culto ao Pai, como nos lembra a Sacrosanctum Concilium.
A caminhada litúrgica de nossas comunidades tem procurado descobrir que a Mesa da Palavra vai além do simples ato de que “alguém” se dirige a ela para repetir um texto que se encontra num livro.
Já nos lembram os diversos documentos da Igreja de que muitos tem acesso a fé simplesmente por aquilo que escutam e não é a toa que a primeira mesa da celebração eucarística, é a Palavra. Ali anunciamos a história da salvação, com palavras, que será expressa nos sinais sacramentais na mesa da eucaristia.
A profundidade da mesa da Palavra deve chamar nossa atenção e questionar nossas atitudes diante do exercício do ministério de leitores. Em um artigo recente chamava a atenção para o fato de que viver a liturgia não consiste simplesmente em “colocar uma veste”, mas exige espiritualidade. Participar da mesa da palavra, enquanto proclamadores da Boa Nova, se encaixa neste mesmo contexto. O abismo que existe entre o ato de proclamar e a intimidade do leitor com a palavra, não é pequeno. Ainda não conseguimos associar que a Palavra de Deus é uma fonte de espiritualidade que traz resultados claros e significativos no modo de proclamar nas celebrações.
De quem é a culpa? Acredito que de todos. Mas não estamos aqui para encontrar culpados. Podemos recomeçar e traçar um caminho de formação que provoque esta percepção de que a palavra faz parte de nossa história diária.
Por isso, celebrar o mês da bíblia, não consiste em apenas preparar a entronização do livro sagrado, um belo altar. Este mês deve questionar de uma forma geral, como a pastoral litúrgica tem cuidado desta preciosa mesa da Palavra. O cultivo da espiritualidade dos leitores, as melodias dos salmos, por parte dos ministros ordenados, o preparo das homilias. É ir além. Preparar um altar para a bíblia, fazer a entronização é fácil e por isso, muitos preferem ficar só nisso. O difícil é ter o hábito de sentar, meditar a leitura, se preparar e com atitude espiritual exercer o ministério no dia em que está escalado.
Outro elemento que precisamos cuidar durante o exercício do ministério de leitores,  é estarmos atentos para participarmos da mesa da eucaristia, ou seja, comungar na celebração que estamos exercendo o ministério. É tão esquisito (essa é a impressão que tenho), perceber que exercem um trabalho de comunicar a palavra, mas não preparam o coração para acolher o Cristo, feito palavra que acabaram de anunciar. Estes ruídos litúrgicos devem chamar nossa atenção para entender a ação litúrgica é sinal sacramental, isto é, passa por cada um de nós. Enquanto estivermos achando que estamos apenas cumprindo uma escala, nossa ação evangelizadora estará muito distante do proposto pelo Cristo.
Temos milhares de fundamentos que trazem para nós todo significado da mesa da Palavra. Sabemos da teoria. É preciso agora cuidar da prática. Por isso cada leitor deve sentir-se provocado neste “mês da Bíblia” a fazer uma autoavaliação. Da parte dos responsáveis (ministros ordenados e coordenadores) oferecerem oportunidades para o cultivo da palavra além das celebrações eucarísticas. A exortação pós-sinodal Verbum Domini, as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2011-2015, chamam nossa atenção para que cuidemos de tal significativo ministério presente em nossas comunidades. Que o mês de setembro seja uma oportunidade para fazer crescer em nossa prática litúrgica, o Cristo que anunciamos.

Mensagem de Esperança


Amigos e Amigas partilho com vocês uma Mensagem que dirigi a uma família de amigos que celebraram a pouco a perda de um ente querido.

Ser Igreja Peregrina em união com a Igreja Celeste

A primeira vocação que Deus Pai semeou dentro de nós, foi o chamado a santidade. Alcançar este estado de espírito deve ser a busca humana durante sua vida. Tal iniciativa faz manifestar a alegria no coração divino. Alcançar (ou buscar) a santidade não é algo fácil, também se o fosse não haveria esforço de nossa parte. Nesta busca é preciso renunciar a si mesmo, tomar a cruz de cada dia e seguir o Cristo.
Seguir o Cristo! Eis uma tarefa que nos coloca a caminho, ou ainda, no caminho, na verdade e na vida. Colocar-se a caminho é percorrer nossa história existencial marcada por relações, por chegadas, por partidas, por vida, por morte, por alegria, por tristezas e por tantos outros elementos que poderíamos aqui descrever.
Na busca pela santidade, é necessário também colocar-se numa vida eclesial, pois o discípulo só pode ser discípulo vivendo em comunidade; basta recordar Tomé, que fora dela não conseguiu reconhecer o ressuscitado.
Vida eclesial? Sim, vida de Igreja, na Igreja e como Igreja. Inseridos nesta dinâmica, somos um povo peregrino que caminha nas estradas da vida rumo a Jerusalém do Alto, aos campos verdejantes que nos fazem repousar na eternidade de Deus.
A vida eclesial impulsiona nosso desejo de querer ser santos, pois a Igreja na sua identidade deve ser sinal sensível, visível, sacramental da Salvação. Buscamos e devemos ser sinais da salvação. Sentir-se peregrino nesse caminho, é olhar para trás de nossa história e reconhecer que alguém, algum dia, apontou-nos essa estrada. Quem seria (m) esse (s)? Certamente foram nossos pais que nos deram as coordenadas para adentrar ao caminho que leva para a vida eterna. Como fizeram isso? Levando-nos um dia a fonte do Batismo, onde lavados do pecado original, restaurados e marcados com o selo indelével, tornamo-nos participantes do Corpo Místico de Cristo, co-herdeiros da salvação e convidados ilustres do banquete da vida, no qual chegamos como ovelhas conduzidas pelo bom e eterno pastor.
Mas enfim, queremos alcançar o céu, por isso, somos uma Igreja peregrina em comunhão com a Igreja celeste! Nesta solidariedade de fé, percebemos que a vida têm sua dinâmica e essa não para, é movida pelo Espírito Santo. Com isso, a plenitude de nossa existência está na plenitude de Deus. A realização humana atinge seu ápice quando se torna pó e volta às mãos daquele que um dia nos tomou pela mão e soprou sobre o Ruah, o hálito de vida. Diante da morte, este espírito nos é tirado e volta para a fonte: Deus em sua majestade.
Nós peregrinamos, “até que o Senhor venha em sua majestade e com Ele todos os anjos e, destruída a morte, todas as coisas Lhe forem sujeitas, alguns dentre seus discípulos peregrinam na terra, outros, terminada esta vida, são purificados, enquanto que outros são glorificados, vendo claramente o próprio Deus trino e uno, assim como é.” (Lumen Gentium 49).
Imaginemos a alegria de Deus em ter eternamente ao seu lado cada um de nós! Ele nos acolhe com o abraço paternal e nos convida a entrar para o gozo eterno. Enquanto existimos, podemos sentir um pouco do que significa este abraço, quando abraçamos e somos abraçados por nossos pais, por nossos amigos! No momento da dor, é tão significativo este abraço de Deus através daqueles que vivem o momento da perda e da dor, por isso, não deixe de abraçar, pois este gesto transmite a presença de Deus. Abrace os seus filhos, netos, parentes e amigos.
A fé nos ensina a crer na Ressurreição e a buscá-la enquanto peregrinos! Trata-se de uma conquista ou um objetivo fundamental na existência humana. Basta comparar: ficamos extremamente realizados quando concretizamos um objetivo na vida, seja profissional, familiar ou pessoal. Hoje podemos dizer, que devemos nos alegrar pelo nosso irmão Amilton, que conseguiu concretizar na sua vida a participação na vida eterna! Não se trata de uma realização passageira, trata-se da eternidade, onde não existe mais dor, sofrimento, apenas a alegria de estar sob a proteção do nosso criador.
Ser Igreja peregrina é acreditar que temos este propósito de vida. Estes dias da novena ajudaram-nos a entender que a morte não é o fim, mas o nascimento para a eternidade. Percebemos que a morte não corta nossa relação com nossos entes queridos: “a união dos que estão na terra com os irmãos que descansam na paz de Cristo, de maneira nenhuma se interrompe, ao contrário, conforme a fé perene da Igreja vê-se fortalecida pela comunicação dos bens espirituais. Pois, pelo fato de os habitantes do céu estarem unidos mais intimamente com a Igreja, enobrecem o culto que ela oferece a Deus aqui na terra e contribuem de muitas maneiras para sua mais ampla edificação. Porquanto recebidos na pátria e presentes diante do Senhor, por Ele, com Ele e n’Ele não deixam de interceder por nós junto ao Pai” (Lumen Gentium 49)
E o peregrinar nunca é completo, sem a presença de uma Mãe. Do alto da cruz, Jesus entregou a Igreja, a maternal proteção da Virgem Maria. Na caminhada das primeiras comunidades ela estava lá, perseverante no ensinamento dos apóstolos, na fração do pão, na oração e correção fraterna (cf. At 2,42). Ela se coloca ao nosso lado. Ela está conosco, apontando-nos e ensinando-nos a contemplar o seu Filho, o Ressuscitado que está sentado a direita de Deus Pai e conosco diz: Maranathá, vem Senhor Jesus!
Caríssimos, ser Igreja Peregrina é encontrar em cada amanhecer a razão em buscar a vida eterna. Um dia, Jesus perguntou as irmãs de Lázaro: Crês isto? Hoje, ele pergunta a nós. Sabemos as respostas de Marta e Maria. Queremos confirmar a nossa. Nosso irmão acreditou e hoje faz parte da festa da eternidade. Lembre-se, “o céu começa em você” (Anselm Grün), crês isto?


Pe. Kleber Rodrigues da Silva