13/04/2013

Tema 2: Fundamentos da Espiritualidade Cristã - Equipes de Nossa Senhora



Movimento das Equipes de Nossa Senhora
Livro-Tema 2013: O caminho da vida espiritual em casal

Tema 2: Fundamentos da Espiritualidade Cristã

Pe. Kleber Rodrigues da Silva

            O primeiro tema levou-nos a compreender a necessidade de se ter e cultivar uma espiritual, seja ela, pessoal, comunitário ou conjugal. Neste segundo tema, somos convidados a descobrir os fundamentos da espiritualidade cristã. Todo processo desenvolvido ao longo dos anos dentro do Movimento das Equipes de Nossa Senhora ajuda o equipista a encontrar o ponto de partida e de chegada da sua fé: Jesus Cristo. Quem não se recorda de todo esforço que o próprio movimento, apesar de ser intitulado, das Equipes de Nossa Senhora, fez para deixar claro de que se tratava de um Movimento Cristológico.
A busca por fundamentos de um espiritualidade cristã desperta em nós o sentido da relação que cada um estabelece com Jesus Cristo. É como se nos perguntássemos: Quem é Jesus Cristo e a resposta a ser dada não seria uma mera teoria, mas uma consequência daquilo que a pessoa nutre com Ele no dia a dia. Podemos fazer o comparativo a partir dos Pontos concretos de Esforço. Eles são meios pelos quais descobrimos quem é Jesus Cristo e construímos sua imagem dentro de nós. É fundamental que cada casal equipista entenda a finalidade dos Pontos Concretos de Esforço não como mera obrigação a ser realizada no espaço de uma reunião e outra, mas entende-los, como acesso diária ao diálogo que se estabelece com a pessoa de Jesus Cristo. O Cristo, pelos Pontos Concretos de Esforço não torna-se expressão de uma ideologia, de uma fantasia, um ser distante. Mas o casal tem condições de confrontar sua conjugalidade, seu cotidiano, a partir da dinâmica de conhecimento.
Uma outra finalidade importante que desperta no casal a busca pelos fundamentos da espiritualidade cristã, é observar que o encontro e a relação com Jesus Cristo, conduz a uma ação de transformação. Basta fazer memória dos relatos bíblicos, que demonstram as transformações humanas, físicas, sociais, daqueles que se encontraram com Jesus Cristo. Não dá para dizer na reunião de base que todos estão vivenciando diariamente os Pontos Concretos de Esforço, se a própria equipe não observa um amadurecimento, uma transformação, a conjugalidade continua sendo algo distante e vazio. Por isso, a vivência coerente e séria no dia a dia das ferramentas apresentadas pela espiritualidade do Movimento, exige do casal itinerante, este comprometimento. É dar uma resposta autêntica a Jesus Cristo que nos concedeu a oportunidade de “estar com Ele”. Buscar uma espiritualidade é visualizar um processo de transformação. Que transformações o casal pode enxergar na conjugalidade desde a última reunião? Onde está o eixo do progresso conjugal? O que de concreto cada um fez para que a espiritualidade pessoal nutrisse a conjugal e essa revelasse a essência cristã? É possível hoje cada um citar um dado de transformação de acordo com a busca destes fundamentos da espiritualidade cristã?
O Conhecimento de Jesus Cristo leva-nos a um autoconhecimento. Percorremos os caminhos de nossa existência e ali nos deparamos com as virtudes, os dons e nosso lado sombrio. Não dá para ter medo de Jesus Cristo. Ir ao encontro Dele, é exercitar este autoconhecimento como uma passo concreto e fundamental, para que a transformação não seja entendida com uma utopia. Lembremo-nos a espiritualidade cristã nutre a alma daqueles que querem alcançar a santidade. A santidade nasce a partir do momento em que nos conhecemos e desejamos algo a mais. Há um pensador chamado de  Evágrio Pôntico que diz: “Se queres conhecer a Deus, aprende primeiramente a conhecer a ti mesmo!”. Até que ponto, a busca do conhecimento de Jesus Cristo, como principio de um espiritualidade desta no casal o desejo do autoconhecimento? Todos já se perguntaram as razões pelas quais muitos corriam ao encontro de Jesus? É porque lá viam nele um lugar de conhecimento da verdade e de si mesmo. Viam naquele Homem de Nazaré uma humanidade que não se baseava no julgamento condenatório, mas numa divindade que procurava restabelecer a esperança e o reencontrar o caminho da transformação. Vai tu e faze o mesmo”, é a resposta dada a por Jesus àquele jovem que desejava entrar no Reino do Céu. Isto demonstra que aquele jovem precisava percorrer um caminho de autoconhecimento, de autoesvaziamento, para ter a certeza de que entraria no Céu.
A busca pelos fundamentos espirituais dá ao “buscador”, a clareza de que as consequências serão experimentadas numa ascese, isto é, no exercitar a espiritualidade como meio para se adquirir uma prática de comunhão com Deus. A partir daquilo que somos, buscamos o encontro com Deus.
Ter claro os fundamentos da espiritualidade cristã é poder construir a casa da espiritualidade conjugal, sobre a rocha firme. É ter a certeza de que praticar conscientemente os pontos concretos de esforço diariamente, enxergamos ali, um lugar onde se encontra Jesus Cristo, encontrando-o, encontra-se os fundamentos da espiritualidade cristã.

Programa02_12_04

06/03/2013

Em busca de uma Espiritualidade


Movimento das Equipes de Nossa Senhora


Livro-Tema 2013: O caminho da vida espiritual em casal

Tema 1: Em busca de uma Espiritualidade

Pe. Kleber Rodrigues da Silva

            Um dos pontos fundamentais do nascimento do Movimento das Equipes de Nossa Senhora está quando casais sentem a necessidade de amadurecer sua espiritualidade e com isso recorrem ao Padre Caffarel apresentando-lhe o desejo e obtém a seguinte resposta: “Façamos o caminho juntos.”
            A dinâmica do livro-tema de 2013 parece-me reforçar bem este aspecto de que os casais estejam atentos a necessidade de “se fazer o caminho juntos”, seja através da própria conjugalidade ou no relacionamento estabelecido na equipe de base. A meta não é buscar uma espiritualidade individualista, mas de comunhão e consequentemente de entreajuda.
            Partimos sempre de um lugar, de uma realidade, de uma situação, de uma condição. Com o Movimento não é diferente, pois cada casal e cada equipe de base deve se perguntar a que parte do caminho se encontra e onde quer chegar. Não podemos partir e nem querer chegar a qualquer lugar. É preciso ter claro o destino, por isso, a temática assumida pelo livro-tema deixa claro que o ponto de partida e chegar é o amadurecimento da espiritualidade como lugar onde o casal nutre sua experiência esponsal, comunitária, doutrinal, profissional e assim se vai.
            Outro ponto fundamental que o primeiro capítulo nos aponta é saber também que espiritualidade buscamos. Não nos faltam opções de espiritualidades na Igreja, aliás, uma das riquezas de nossa eclesialidade está nesta diversidade. Se de um lado, isto é magnifico, como fruto do Espírito Santo, este mesmo Espírito ajuda-nos a optar e discernir por qual espiritualidade nos identificamos. Poderíamos aqui recordar, quantos casais que buscaram a espiritualidade e a dinamicidade do Movimento e no entanto não se adequaram. Do mesmo modo, quem se envolve com as Equipes de Nossa Senhora deve amadurecer a clareza de sua opção, que está em desenvolver uma espiritualidade conjugal.
            Descoberto de que participar e envolver-se com o Movimento das Equipes de Nossa Senhora é ter ciência de que se procura desenvolver uma espiritualidade, cada casal, bem como cada equipe deve buscar tomar consciência de uma outra realidade, de que a espiritualidade conjugal é senão uma extensão, ou ainda mais, um desdobramento daquilo que é o central da vida da Igreja: Jesus Cristo. Devemos ter claro de que o ponto de partida está na assimilação de uma espiritualidade cristã (que parte de Cristo) e que se desenvolve e é absolvida nas suas ramificações ou poderíamos chamar aqui, no modo como as diversas realidades assimilam e procuram viver dentro do seu específico. Entenda, a espiritualidade conjugal assumida como dinâmica do Movimento das Equipes de Nossa Senhora é fruto desta espiritualidade que vem de Jesus Cristo.
            O ponto de partida é: em busca de uma espiritualidade. Qual? A cristã ou a conjugal? Não seriam as duas complementares? Que sinais o casal percebe dentro da conjugalidade como decorrência da espiritualidade cristã?
            É importante perceber que não se quer apontar a necessidade de duas espiritualidades, isto é, cristã ou conjugal, mas entendermos que de que são realidades que se entrelaçam. Não posso dizer que vivo uma espiritualidade conjugal sem ter como princípios os valores cristãos.
            Aqui podemos até ampliar o leque de questionamentos e pensar no real motivo que leva cada casal a nutrir sua permanência no Movimento das Equipes de Nossa Senhora. Não esqueçamos que na gênesis daqueles casais que foram atrás do Padre Caffarel está um desejo: crescer espiritualmente, no conhecimento, no relacionamento e na aliança com Jesus Cristo.
            Um outro ponto fundamental na busca concreta de espiritualidade é de que ela não nos tornará em pessoas que vivem alienadas, como “extraterrestres” ou protegidas por uma redoma de vidros. A espiritualidade ajuda o casal a enxergar sua humanidade com os olhos da Fé e isso se acrescenta quando entendem que os pontos concretos de esforço são os meios pelos quais esta espiritualidade abre os olhos, não de super-heróis, mas de casais e equipes humanas, limitadas, mas com um único desejo, que parte da resposta do Padre Caffarel: “façamos o caminho juntos”.
            Cada casal e cada equipe deve entender que desenvolver uma espiritualidade é sentir-se provocado diariamente a lidar com os dons e as arestas da conjugalidade. Entrelaçar a espiritualidade cristã e conjugal é sentir-se a cada momento chamado pelo próprio Jesus Cristo a dar passos de transformação. Uma espiritualidade, seja ela qual for, quando assumida com veracidade, nunca nos deixará estagnados, mas sempre nos colocará a caminho.
            A espiritualidade da qual o casal e a equipe devem buscar, fará de todos novas criaturas, dará a capacidade de olhar para o interior não como um abismo, mas como um lugar de transformação, trará o olhar do amor e do perdão sobre a humanidade da conjugalidade, por isso, concluo com umas palavras de um grande pensador Roy Croft: “Amo-te não apenas pelo que tu és, mas por tudo aquilo que sou quando estou ao teu lado. Amo-te não apenas por aquilo que tens feito por ti mesmo, mas pelo que estás fazendo comigo. Por ignorar todas as coisas tolas e fracas que encontraste, mas nada podias fazer a respeito, e por trazeres à luz todas as belezas que possuo e que ninguém havia olhado o tempo suficiente para encontra-las.”